Manoela Saratt, moradora da região, escritora mirim
Quando Elenice Saratt encontrava a filha Manoela em frente ao computador horas a fio, logo a repreendia, ordenando que fosse fazer o tema de casa.
– Mas eu tô escrevendo um livro, mãe – retrucava a então estudante da 4ª série.
Para Elenice, “livro” era o novo nome do MSN ou do Orkut. Até que a história da personagem Gaby começou a tomar forma, e a família da Aberta dos Morros teve de admitir que a caçula não estava para brincadeira.
– Eu mesma dizia: “livro? Que livro o quê!” Confesso que fiquei bem surpresa. Para uma criança, o livro está bem interessante – destaca a irmã universitária, Newelen, 20 anos.
Lançado em dezembro, A Menina que Tinha Poderes conta a história de uma estudante de 10 anos que cura o pai doente, descobrindo um dom especial em suas mãos. A façanha se espalha rapidamente pelo colégio, e a menina vira assunto de reportagem no jornal.
Na vida real, para ser entrevistada pelo ZH Zona Sul, Manoela não precisou de superpoderes. Bastou escrever, aos nove anos, um livro em que o único retoque da editora foi o título da obra, originalmente chamada de A Vida de Gaby.
– Na verdade, eu não conto toda a vida dela, então, ficou melhor assim mesmo – aprova.
Manoela garante que a vontade de aparecer na mídia é a única coisa em comum entre ela e Gaby. Considera-se mais parecida mesmo com a melhor amiga da protagonista, Lizi, já que esta é “mais agitada e nada tímida”. A pequena escritora pretende dar continuidade às peripécias de Gaby. Mas, apesar de já esboçar rascunhos de novas aventuras, a literatura deverá dar lugar à música no futuro da aluna do Colégio Maria Imaculada.
Um futuro no qual prevê mais fama do que as recentes entrevistas a rádios e jornais. Usando o verbo ir ao detalhar seus planos, ela não deixa dúvidas da sua determinação.
– Vou morar nos EUA e vou ser cantora – planeja, acrescentando que se prepara estudando inglês, e vai guardar os R$ 7,50 de cada exemplar vendido para, quem sabe, começar a vida lá fora.
A mãe-coruja conta que a sessão de autógrafos foi um sucesso. Além de amigos, colegas e a professora Roseli, outros clientes da livraria compraram o livro de Manoela.
– Crianças até pediram para tirar foto com ela. Numa geração que vive na internet, ela é um exemplo que pode incentivar outras crianças à escrita e à leitura – diz Elenice, que já tem planos de levar a filha para fazer palestras em escolas do Interior.
Alguma dúvida de que a menina de 10 anos está preparada para falar em público?
marcela.donini@kzuka.com.br
Manoela Saratt é aluna da 5ª série B do Colégio Maria Imaculada

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